O bode tocador de violino.

O dia renasce devagar, com um frio cada vez mais sério e mais belo. Da varanda onde me não encontro, vê-se o mundo quase todo. Apetecia-me estar lá e não aqui. Ser essa espécie de bode violinista que Chagall pintou com uma mulher ao ombro junto ao ouvido, sendo essa mulher a figura do que ainda não veio, do que ainda sei, e que, por agora, me bastaria que fosse a mais bela e serena imagem do frio, a tal que se avista da varanda ou do olhar de um velho tocador de violino, incompreendido ao ponto de parecer-se com um bode.


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