O TEMPO QUE CORRE.
Na década de 70, morava no então Largo Salazar, hoje, felizmente, Praça 25 de Abril. As pessoas da minha geração, e sobretudo as anteriores, ainda se referem, de quando em vez, a esse local como o Largo. Não como o Largo Salazar, mas simplesmente o Largo. Era e continua a ser a Praça mais larga, o centro da cidade, daí a expressão. Quando aí morava era muito pequeno. Pelas quatro e meia da tarde, lanchava leite com café e quatro bolachas, duas Maria e as outras duas Torrada. Se acaso ficasse com fome, havia instrução para que se não reforçasse a dose de bolachas, mas antes me fosse dado um pão com manteiga. À época, o pão ainda se conservava estaladiço às quatro e meia da tarde e a manteiga era mais salgada do que é hoje. Ao contrário de agora, quando era miúdo tinha pouco apetite. E, quando tal se agravava, entravam em ação três remédios de grande eficácia: uma colher de xarope Becozyme forte, dos Laboratórios Roche, um prato de farinha láctea Cérelac e a voz da minha avó a...









