O NOSSO DIA

 


Hoje é o dia do autor português. A data é assinalada desde 1982 e foi instituída pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), numa iniciativa do maestro Nóbrega e Sousa.

Durante alguns anos apresentei os meus livros neste dia, depois, por força das agendas, abandonei o hábito.

Ao fim de 10 obras publicadas nos domínios da poesia, romance, teatro e diarística, reconheço a centralidade que a literatura ocupa na minha vida. É, provavelmente, a atividade que desenvolvo há mais tempo. É, sem dúvida, a que mais me preenche no plano da realização individual. Tenho inúmeras atividades onde coletivamente me envolvo e onde também me realizo e contribuo para que o mundo que partilhámos possa ser um pouco melhor. Porém, a escrita, esse gesto solitário com uma multidão dentro, enraíza-me, tira-me do tempo, faz com que permaneça o que deve permanecer e define-me de forma mais funda. Costumo dizer que, um dia, quase tudo na vida me pode vir a faltar, mas sei que a escrita só me faltará quando já por aqui não estiver ou de mim deixar de me lembrar.

Nesta data do autor português expresso a minha gratidão a todos os autores que nos salvam da ignorância e da insensibilidade, que nos abrem mundo, que nos levam até ficarmos outros. 

Se há um tempo onde são precisos os autores este é o tempo. Cada luz que um autor acende com a sua obra, é uma luz acesa no coração que a acolhe, ainda que escureçam os dias e o coração atónito, entre a sombra e a escuridão, procure a razão pela qual não pode parar de bater. 

Em cada pessoa há uma pessoa que tem por missão ligar as luzes para que, sem enganos, nos olhemos nos olhos e nos reconheçamos humanos, outra vez.

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