OUVIR O TEMPO.
Desde muito novo que ouço música argentina, a de cantautores e de compositores que nos marcam um pulsar da existência tão bom e tão forte quanto aquele que nos dá o fado, o samba, as mornas ou baladas que pela Europa se foram compondo numa genuinidade quotidiana que traz ao mundo o sentir bonito e livre que o mundo deve ser.
Esta noite retomei um tema, de 1970, composto por Facundo Cabral, No Soy De Aquí, Ni Soy De Allá,
Estes dias quentes são bons para escutar e atender na letra de canções como esta. Estes dias de tanta incerteza são bons para nos demorarmos a ouvir canções e a perceber-lhes o sentido. A arte e a beleza sempre foram armas eficazes para salvar o mundo, mas não fslta quem o queira destruir naquilo que, a custo, gerações resistentes lhe imprimiram e que uns boçais tentam apagar.
Novidade? Nenhuma. Porém, por mais regressão que se anuncie, o amor, a amizade, a fraternidade e a solidariedade sempre permaneceram e foram mais fortes do que as armas, o poderio e o vil metal.
A humanidade já abdicou de muito, mas nunca abdicou daqueles que pela arte quiseram mudar o mundo para melhor.
Ouçam música, leiam livros, vejam quadros e filmes e perguntem. Perguntem até ao ponto de descobrirem o melhor e o pior de vós em cada obra, para que, na destrinça, não abandonem o sentido de mudar o que for para mudar em cada um e no mundo, essa abstração que é uma concretização no tempo e no espaço que é de todos.



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