Lisboa desaparecida em retrato à la minute
(ao Pierre Aderne que segura as cidades e aos meus amigos Ricardo, Isabel e Elsa que são o que a cidade é.)
Onde nos morrem as cidades?
Quanto do encanto nem em pranto resta
por desconhecimento, por frio espaço,
ou desesperada saudade?
E que perguntarás saudosista partido?
Que perguntarás que faça sentido?
Haverá quem ainda ouça?
Estarão vivos os vivos que reconheces?
Há um fado desencontrado de que te lembras.
Há um barco de gente com histórias
partilhadas no desvanecer do cansaço.
Há um rasto de desobediência
tão sólida como o custo justo
que o pensamento possa ter.
Há um rio onde a rota se escrevia
na bravura da descoberta
dos rios de dentro
onde incendiávamos viagens.
Há um pulsar lento que ainda te chama
sem saber pronunciar o teu nome.
Vem de uma brancura e de um silêncio
que não reconheces mais.
Onde nos morrem as cidades?
Morrem-nos em vida.
E mudam-nos como se nos expulsassem.
Por isso nos doem.
Por isso permanecemos ricos do que vivemos.



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