O CINEMA TRINDADE



Há locais de resistência cinematográfica. Um deles é o Cinema Trindade, no Porto. Sempre que podemos, vamos lá ver um filme, normalmente do circuito considerado independente. 

A noite passada assistimos ao “O quarto ao lado”, de Pedro Almodóvar, que recomendo, mas não está na lista dos meus preferidos deste realizador.

Contudo, sublinho o prazer de ir ao cinema, estar perante o grande ecrã. Isso deve-se ao trabalho de muitos. Em Fafe, o Cineclube resiste e tem feito um notável trabalho de divulgação de várias cinematografias. Os Cineclubes, em Portugal, são uma benção e um generoso e militante gesto de uns tantos que tomam nas suas mãos a responsabilidade de que nunca nos falte o bom cinema, no sítio onde os bons filmes devem ser vistos: nas salas de cinema. 

Há Câmaras Municipais, como a da minha terra, que se juntam a estes sonhadores e não deixam que o cinema fuja para as grandes cidades. 

E há salas independentes que resistem e vão sendo ilhas, oásis, que só temos de frequentar para que não nos morram. 

O Trindade é um lugar de culto. Gosto de tudo. Até de estar na casa de banho e ouvir o filme que está a passar na sala ao lado. O público, maioritariamente, só sai quando termina a ficha técnica. Não abre telemóveis, não fala para o lado e só se permite chorar ou rir, consoante a natureza do filme. 

A maioria dos que lá vão são tão civilizados que nas paredes da casa de banho escrevem: É um mistério a vida: be kind. 

Nos dias que correm sabe bem que lugares assim resistam e que haja quem queira que o mundo possa ser esse lugar onde cabem todos e que, como bem diz o meu querido amigo Frei Fernando Ventura, “a nossa liberdade não termina onde começa a liberdade do outro, ela continua com a liberdade do outro”. Efetivamente somos sempre tão mais livres quando trocamos, com amabilidade e reconhecimento, as nossas liberdades, crescendo e sendo outros com todas essas magníficas diferenças.

Comentários

Mensagens populares