O AINDA
Há coisas que deixas por fazer.
Há lamentos quase inúteis.
Valem só pelo que te resta
e pelo que te salva
no que queres levar para sempre
e te pertence tanto quanto
todas as falhas.
Há um pulsar do tempo
que te constrói o que não és.
Talvez um dia recordes
e isso seja o melhor:
de tudo o que não foste.
Há lamentos inúteis
mas são os mesmos que te cobram
a eternidade e isso é tanto,
como bem não sabes.
Acabarás por sentir,
sem que o contes,
sem que nada mais
possas saber para lá
de que a vida se despede
quando se nasce
e tudo faz começar.
Talvez não saibas ainda
que o levas no olhar
esse Deus que não foste,
agarrado aos deuses
que encontraste
e com quem estiveste inteiro,
pronto para o que te faltou perguntar,
pronto para ser como eles
perfeito e puro no que faltou alcançar.



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