A NOSSA RUA
Aos poucos, tantos, a nossa rua
começa a ser a que inscrevemos
nos céus que lhe inventamos.
O chão está nas nuvens
que olhamos sem as alcançar
como alcançámos a voz e o aceno,
a palavra e o encontro.
Aos poucos, tantos, a nossa rua
é uma morada que vamos descrevendo
pelo coração que nos vai partindo
pelo tanto que guardámos no corpo
que é cada vez mais do tempo que passa.
E nada disso significa que vamos morrendo,
significa que guardámos da vida
o que mais importou
e que nessa nova rota só os passos
que se não vêem serão o caminho.



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