Uma vela em Minsk
O mês passado, em Minsk, acendi uma vela em memória do meu pai, junto de um bonito icon da Virgem com o Menino. Foi numa Igreja Ortodoxa,cheia de luz, numa espécie de refúgio a um certo lado mundano que me era estranhíssimo e que me exigia tempo e intimidade para me poder relacionar.
Naquele lugar, lembrei-me muito da minha avó paterna que não conheci. Quando o meu pai partiu, a única alegria que me assaltou foi a de ter sido possível o seu reencontro com a mãe que perdera em menino. Sei que é uma questão de fé. Apenas isso. Profundamente isso.
Desde esse dia que as imagens da Virgem com o Menino me lembram essa hipotética felicidade. E devolvem-me a imagem do meu pai, ao fim de uma vida, sendo finalmente a criança feliz que nunca conseguiu ser. E quando acendo uma vela em memória desse instante, ilumina-se dentro mim uma das mais belas imagens que a perda me proporcionou: a sua expressão de novo amparada nesse regaço, há tanto tempo perdido.


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