Na ilha de Malta.
Aterrar em Malta, a meio da tarde. O calor do Mediterrâneo e do norte de África. Os primeiros pensamentos foram para Bogart. Ou seja, a primeira reacção é a de fugir deste tempo e ficar noutro por momentos, estando aí muito bem. Estando como em casa, numa casa que nunca foi possuída mas da qual conhecemos os cantos e os refúgios.
Meio da tarde em Malta, para celebrar um amor que também já não é muito destes tempos.
O mediterrâneo tem o nosso corpo.
Não o nosso efémero, mas o de sempre.
Tem o nosso corpo nas rochas que se avistam
por debaixo das águas e nas esculturas e nas casas
e nas sombras que as pedras erguem.
Por isso, sente-o e pergunta pelo tempo.
Vieste cá para perguntar pelo tempo
e, nele, clarificar a imagem do amor
que foi mudando as rochas,
deslocando a sua luz,
esculpindo aí a infinitude que tem, não este mar,
mas a tua comoção ao pé de si e da nossa sombra.


Comentários