3 poemas breves sobre a infância.
I
Eram ainda os pássaros breves da manhã
a erguerem uma cortina de lonjura e infância,
inacessível ao olhar mais estranho,
imprescindível ao dia mais puro.
II
Na tarde o aroma das videiras americanas
e um equivalente peito de desejo,
e lendária doçura.
Nunca mais esse erotismo da inocência.
Um nunca mais e um para sempre.
III
Provava então o frio. Os seus primeiros sinais.
As primeiras chuvas.
As primeiras vezes em que a casa ajudava imenso
à ideia de abrigo,
ao sentimento de haver uma intimidade impartilhável.


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