A praia.


Tenho a praia inteira para incendiar as palavras que sempre guardas e com as quais vais construindo a última hipótese de haver um nome e um corpo, um cais derradeiro para aquilo que é da pele e só a pele conhece quando agarrada ao íntimo rumor do mundo.
Pára para escutar o mundo. Podes começar pelo oceano que escondes. Pára nesse turbilhão de coisas que não deixas de sentir e segreda-me uma qualquer coisa que se pareça com um paraíso onde seja difícil a felicidade. Assim é melhor. Dura mais. Sabe mais a vez única.
Deita-te sobre o areal desse olhar mais quente e mais fundo e sê o seu próprio entardecer para, a seguir, conheceres do vento as vibrações e os segredos e só depois a infatigável entrega do coração selvagem e puro, deportado e regressado, fóssil ou sangue ainda fresco sobre o instante onde ainda teimas matar toda a tristeza como se a negasses para sempre, ou dela fizesses a mais insinuante fábula para depois adormeceres sobre o cansaço mais belo do mundo.

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