Poemas da Cidade - 21



Na doçura da tarde, os pássaros de inverno
bordam as direcções do olhar, dispersando
aqui e ali as melhores intenções
sobre o que deverá ser a felicidade
ou a liberdade servida ao ritmo natural
das estações.
Como num tecido muito artesanal,
assim é bordada a inteligência do dia,
no coração quase domingueiro,
na esperança quase infantil
de ter algo melhor para ser ou oferecer
ao instante seguinte,
esse maravilhoso e intransmissível mistério.

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