Gandhi de novo.


Enquanto esperava pelo voo para Marselha, comprei o livro de Gandhi, «La voie de la non-violence», uma leitura que me acompanhou durante as três horas de espera no aeroporto de Paris. A importância da mensagem de Gandhi deverá ser relançada em todos os sentidos da vida política de modo a que activistas, da esquerda à direita, possam reflectir de que forma e por que meio é legítima a indignação e sobretudo a militância.
É que, da esquerda à direita, vamos sentindo falta de alguma insistência e sistematização do trabalho político em profundidade, alinhando a classe política na feroz armadilha de deixar cair a ideologia em favor do espectáculo e de um poder, muitas vezes perverso, de alguma comunicação social, efectiva detentora da maioria das acções de educação popular.
A ausência de um rumo claro, para a construção de um modelo de sociedade, tem sido responsável por grande parte dos atropelos democráticos a que temos assistido um pouco por todo o lado.
Por seu turno, também a ausência de uma inscrição das acções individuais no seio da mudança social se tem verificado, a par de uma ainda mais prejudicial ausência: a de encarar cada acto individual como uma parte coerente com fins e meios que deverão constituir a identidade de cada um de nós a todo o tempo.
A mensagem e o exemplo de Gandhi estão assim mais do que justificados no nosso tempo, por razões diferentes daquelas que levaram o mundo a entendê-lo em diferentes épocas, mas não menos urgentes, não menos perigosas para o bem-estar de todos.

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