A poesia experimentada.


O ritmo dos dias marca-se, essencialmente, pela forma como a luz natural nasce e se apaga com o correr das horas.
A interpretação da luz é das primeiras interpretações que fazemos, nas múltiplas formas que ela assume pelas outras tantas formas de que é composto o espírito humano. E são tantas as suas aparições que temos para si uma dedicação poética essencial, mesmo para aqueles que passaram pelo mundo sem se acharem poéticos, ou desconhecendo objectivamente qualquer rasgo mais ousado de criatividade ou apropriação emocional.
A luz é a primeira definição de poesia que se experimenta, que o digam o candeeiro de luz breve e serena da mesinha de cabeceira, a luz tão nova nos céus de Março, que o conte a luz clara da secretária ou a luz baixa dos cinemas e dos bares onde as relações começam ou terminam.
Toda a gente já experimentou a poesia desta maneira, ou de modo análogo. Por isso, me entristece e custa tanto perceber por que razão são tão poucos os que a lêem.

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