Oviedo e Palabras para Julia.






Tive para este Domingo a memória de uma tarde de inverno num jardim de Oviedo, com árvores nuas, esguias, com uma luz muito clara e com a minha alma viajante a recolher cada detalhe para que, passados anos, ainda pudesse durar a felicidade, ainda fosse possível sentir aquele frio e aquela luz e daí nascer a salvação do dia.
Há dias recuperei, ao fim de vinte anos, uma música de Paco Ibañez que nunca me saiu da memória: «Palabras para Julia». Ouvi-a pela primeira vez em vinil, um empréstimo do pintor António Santana, naquele tempo como uma recomendação, como um contributo para a minha formação cultural. Ainda hoje, quando regresso a Madrid, mais propriamente a Picasso me lembro dele, do seu atelier de Arquitectura, da sua paixão por Picasso, das inúmeras fotos a preto e branco.
Os jardins de Oviedo e a canção de Paco Ibañez chegaram. Tudo pareceu perfeito, quieto, intenso. Tudo como merece quem contempla e tem do vivido uma experiência como a lenda da formiga e da ciagrra, sendo eu a formiga, guardando cigarras nas suas expressões múltiplas.

- Estende-me a mão, talvez te salve. É um segredo esta inexistência de fronteiras entre os tempos. É um segredo, ou a forma como os mortais sempre se habituaram a retardar a morte. Seja como for, estende-me a mão, e se mais não for voltarás aos sentidos.

Comentários

Anónimo disse…
A letra é de Goytisolo, parece-me. Não encontro on line esta versão que aqui tem. Não gosto tanto da versão que está no Youtube, Paco está mesmo a envelhecer, infelizmente também na voz, esta versão é melhor. Será possível conhecer o código html? Queria publicar no meu blogue e a música poderia ser linkada ao seu blog claro está.

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