MIGUEL CARVALHINHO.
Na vida, temos encontros que vão ficando para sempre.Uma belo fim de dia, chegava a Castelo Branco a convite do meu querido Pedro Salvado , para participar na 1a edição do Roiz, um encontro de poetas ibero-americanos que ali se realiza.
Num só dia conheci pessoalmente Alfredo Pérez Alencart, Leopoldo Rodrigues e o grande António Salvado. Que fortuna!
Quando terminei a leitura do meu poema “Nascer”, António Salvado, chega-se a mim, mete o seu braço no meu e diz:
- Um bom poema. Apreciei a sua escrita.
Há reconhecimentos que nos surpreendem e que guardamos, não por serem positivos, mas por virem de alguém que era maior do que um sem número de bibliotecas.
Quando terminaram as leituras, fiquei a conhecer uma outra grande figura da cultura albicastrense, o professor, compositor e intérprete Miguel Carvalhinho. Começámos a conversar em torno do meu poema, dizendo-me que se tinha dado bem nele, que se sentira em casa naquele texto e que gostaria de ter uma cópia. Ofereci-lhe de imediato a folha onde o tinha impresso.
Só depois pude perceber de quem se tratava. Alguém que tem sido divulgador e mestre da viola beiroa. Um artista que, na sua terra, nos segura a única coisa que vale no que quer que a portugalidade possa ser.
Miguel Carvalhinho mostra-nos a viola beiroa e percebemos logo que há ali um país. O país que importa, que demonstra que aqui viveu e vive gente que na expressão artística se transcende e dá novos mundos ao coração do mundo.
A viola beiroa é um continente. Canta-nos e conta-nos. O Mestre Miguel Carvalhinho é património de todos nós. Guarda-nos como Torga ou Salvado nos guardaram. Anda com as suas gentes pela música a cuidar-nos o tempo. Anda a espalhar a viola beiroa como se espalhasse a notícia de que assim não morreremos indiferenciáveis.
Tão gratos que temos de estar a quem trata todos os dias de nos inventar um país que tenha língua, que tenha quadros, que tenha música, que nos tenha na distância e no reconhecimento.



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