A OBRA DE ANA GIL


Ana Gil é ilustradora e aguarelista. Ela descobriu-me pela poesia e eu descobri-a pelo desenho. A obra que tem vindo a construir tem sido reveladora de uma artista com voz própria, com sensibilidade e sem muros criativos. Acompanho o seu trabalho há vários anos e tenho o maior respeito por criadores que se afirmam desta forma.

Dois sublinhados se impõem: primeiro, a forma como cria relação com o espaço de que se serve como elemento criativo, acrescentando-lhe universo. 

Costumo dizer sobre os artistas de todas as formas de expressão que a nossa missão é acrescentar universo. No meu primeiro livro de poemas escrevi: «É um voo secular esta minha vontade de arrancar palavras ao coração das coisas». O que eu quis dizer com este texto não era mais do que acrescentar universo a quem quisesse chegar por esse olhar ao coração das coisas sobre as quais eu escrevia. O elemento transformador da arte amplia o que a arte toca e aumenta o universo de quem lê, de quem vê, de quem ouve, de quem sente.

O segundo sublinhado é a forma como se relaciona com as pessoas que habitam o espaço sobre o qual cria, entendendo-as como parte importante do significado que o próprio espaço possui. Então estamos a falar da intermediação de sentido. Colocar as pessoas nos desenhos através das suas falas, das suas expressões, das suas histórias, dos significados que entregam. 

A Ana Gil faz da sua arte um ponto de encontro com a vida e com o tempo. Um tempo e uma vida de gesto comum. Isso remete-nos para a atitude do Ser artista. Ser com os outros, ganhar sentido com o outro, ilimitar-se no outro e ilimitar o outro.

Há descobertas que nos abrem mundo e a obra desta aguarelista e ilustradora assim o tem feito. Que seja longa a viagem.


https://www.anagillustrations.com

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