DIA DO TEATRO






Dia Mundial do Teatro de 2025. O mesmo dia em que recebo noticias para avançar com um estudo académico em torno da obra dramatúrgica de Lourdes Ramalho e de Moncho Rodriguez, dos elementos comuns presentes nas suas obras, bem como o que resulta do encontro de ambos e a sua mútua influência.

Trabalhei com o Moncho quase uma década, fizemo-nos amigos até ao seu último instante. Somos amigos para sempre. Pela sua mão conheci Lourdes Ramalho, uma das maiores dramaturgas brasileiras com uma obra ímpar de raíz popular e expressão na contemporaneidade. Estivemos os três em sua casa. Ouvi-os conversar entre si numa inesquecível cumplicidade e num inquestionável amor. Lourdes Ramalho faleceu com quase 100 anos. Escreveu até ao final dos seus dias. Moncho partiu há dois e esteve no ativo até ao fim. 

Ele celebrava sempre o Dia do Teatro. Tinha como ninguém esse direito. Fez do teatro a sua vida. Tenho andado a pesquisar a obra de ambos. Eu e o Moncho não nos despedimos, aliás nunca nos despedíamos. Os últimos tempos tiveram uma bonita intensidade. Eu escrevi o prefácio do seu livro Beatriz e o Peixe-palhaço e, uns poucos meses antes do seu passamento, como gostava de dizer, escrevi sobre a sua obra e intervim, a seu convite, na apresentação do seu último livro.

O Moncho faz-me falta. Há uma parte de mim que deixou de ter a quem contar, a quem perguntar, a quem inquietar conjuntamente. Mas o caminho é mesmo assim.

Não deixa de ser curiosa a notícia deste primeiro dia oficial do meu novo estudo académico surgir nesta data. Já olhei para o espaço e disse-lhe: Galego d’um raio!

Feliz Dia do Teatro para todos!





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