Recolher o verão.

Começar o outono em Tallin, longe de casa, e fazer contas às tarefas a desenvolver quando chegar: recolher a esteira que dava sombra ao terraço, guardar as almofadas das cadeiras, recolher os tangos de Gardel, os dias quentes, as fugas para a Argentina, a memória do que seria, um dia, adormecer no deserto. Guardar o oceano, as palavras mais lentas, o que vimos partir, o que vimos chegar.
Recolher o verão no peito e estar pronto para um recomeço noutra estação. Nada mais belo. Nada mais justo.

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