O inverno que se prepara.

De regresso a Frankfurt, com a manhã clara perto do rio e a quietude dos domingos. Tempo suficiente para olhar a cidade uma outra vez e reconhecer a poética do espaço, feita também pelos seus habitantes, preparando o inverno. A prepaparação do inverno é das minhas actividades preferidas. Sempre foi. Mudamos de rosto, de sorriso, de andar, de disposição. Mudamos a estética, mudamos as emoções. E somos outros, regerssando ao abrigo, regressando ao profundo, regressando.
Os habitantes de Frankfurt estavam assim este Domingo de manhã. O regresso é das coisas mais belas que a vida possui porque só se regressa ao que se deseja e ao que se ama. Caso contrário, não regressamos: vamos ao encontro do que nos é neutro ou prejudicial. Isso não é regressar é ir em direcção a. Regressar é acessível apenas ao coração.
Indo até às margens do rio, pelo interior dos bairros económicos, como gosto de fazer, vemos as pessoas dali com esse ar de regresso a uma parte de si condizente com o inverno que há-de vir em cada um. Nunca troquei um palácio por uma pessoa sempre que viajo. Inesquecível é o que sentimos de íntimo num espaço que só é nosso pelo olhar que pousamos nos outros e aí descobrimos a sintaxe da cidade a que chegamos e onde somos estranhos ou descobridores, quase sempre o mesmo, pela intimidade de ambos, pela ousadia de ambos.

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