Oração.

Do meu quarto, em Tallin, vê-se a Catedral Ortodoxa de Alexender Nevsky. Habituei-me a orar em qulaquer templo. Todos me confortam. Ainda que, em quase todos, questione o seu lado social.
A sensação de me encontrar com o divino tem tido nos diferentes templos, dos mais diversos credos, uma expressão de intimidade que me reserva felicidade. A minha relação com Deus é uma relação de exílio. É uma relação de cais de desembarque. Desde a morte do meu pai, que essa relação passou também a ser de comunicação com aquilo que mais se desconhece: a língua que o amor fala, independentemente do seu receptor.
Amanhã lá estarei orando. Acendendo duas velas. que mais não significa do que dizer: também aqui nos lembramos, também aqui não esquecemos. E isso tem uma intimidade inesgotável. E isso traz uma paz e uma alegria que só cada um e o seu Deus conhecem.

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