Oração.


Na hora de almoço, uma visita à Igreja da Santíssima Trindade em Fátima. Um local de intimidade para a oração. Quando oro, uso esse momento com o melhor que a liberdade me foi dando ao longo da vida. As orações para mim são momentos de recriação do diálogo entre o Homem e Deus e por isso chamo sempre a liberdade para esse momento. O novo é uma condição para a oração. Não o repetido. Partilhar a novidade com Deus é partilhar o que de maior pode ter a nossa caminhada. Mesmo as orações que todos sabemos de cor, penso-as sempre em função do que de novo existe para contar e para oferecer a essa magnânime ideia que é a presença de Deus em nós.
O Cristo desta Igreja é uma invasão. Das mais belas, das mais profundas. Um Cristo a rebentar-nos na alma, como as ondas dos oceanos rebentam nos rochedos. Um Cristo tremendamente vivo em nós e no nosso mundo. Um Cristo de rua. De comunidade. Um Cristo salvador, mas irmão do outro, companheiro de luta. Um Cristo como deveriam ser os Homens, os que nunca resignam e não perdem a esperança.
Fui orar a Fátima. Regressar a Woytila. E pensar e prometer: não baixaremos os braços, nunca baixaremos os braços. E isto é também uma das maiores lições que fui tendo sobre o que Cristo que quis para mim, tantas vezes distante do que me mostraram ao longo da vida.
A minha catequista da 1ª classe, morreu há dias, julgo que com quase cem anos. A D. Rosindinha falou-me sempre de um Cristo de amor. A irmã Maria Antónia, que morreu há muitos anos, falou-me de um outro de liberdade. Fiquei com ambos até hoje. Guardo-os assim e guardo-as a elas. Uma espécie de Anjos. Uma espécie de contributo para abrir o dia e não esperar mais do que a luz. Que a luz nos seja favorável para seguir.

Comentários

António Daniel disse…
O Pompeu fala da catequese quase numa perspectiva libertadora. Para mim a catequese foi «dark side of the moon». Foi castradora e empobrecedora. Mas, enfim, faz sempre bem recordar.
PS: a Rosindinha era a senhora da «venda» que se situava ao lado do actual do antigo Bal d' estevão (julgo que assim se designava - engraçado, nunca me havia interrogado sobre este nome)?
PMM disse…
Meu caro, viva!
sim. a Rosindinha tinha a mercearia ao lado do Bal d'Estevão que também já não existe. Chama-se Celeste a pastelaria/restaurante que agora lá está.
Também tive muita castração na catequese, mas prefiro guardar o que correu bem e me enriqueceu de facto, e foi exemplo, de facto.
Por pouco tinha a certeza de que nos conhecemos, dada a fotografia com os dois catraios. Nós não estudamos juntos? Tu não és filho do Sr Daniel que tem a loja quase em frente à Loja Nova? Não eras jogador do Andebol de Fafe?
António Daniel disse…
Não, conhece esse Daniel, mas não tenho qualquer afinidade com ele. Não joguei Andebol e devo-lhe dizer que se nos cruzássemos na rua cumprimentar-nos-íamos. Somos da mesma geração, apesar do Pompeu ser, penso eu, um ano mais novo do que eu. O que lhe posso dizer é que vivo, em tempo de férias, próximo da Igreja Matriz e a minha família do lado materno pertencia ao antigo Talho Novo. De qualquer forma, se o encontrar na rua, apresento-me, embora nos conheçamos razoavelmente Mais um dado: o meu pai era conhecido como «Pereira do Registo» por ter trabalhado muitos anos no Registo Civil. Também lhe devo dizer que sou leitor há uns anos do seu blogue, deixando, aqui e ali, alguns comentários.
Abraço.

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