Minsk II


Regressado de Minsk, trago no coração outras legendas para a esperança. As palavras ditas por lá a meia voz, palavras meias, aprofundando o que tantas vezes não se aprofunda por cá, arriscando o que repetidamente se não arrisca mais por estes lados. Trago as faces e os sorrisos dos que, na dureza árida dos dias, teimosa e ternamente ainda querem fazer rebentar primaveras.
Essa Bielorússia de inúmeras faces, de desequilíbrios geográficos e de desequilíbrios de gentes, a pousar-me no peito uma espécie de flor incendiada capaz de aquecer o rosto dos que ainda não podem mostrar a flor que lhes arde no próprio peito ou na pátria própria.
Trago essa espécie mágica de archote a alumiar a noite insinuada.
- Um dia havemos de salvar todos os sorrisos.
apeteceu-me dizer-lhes à despedida.
- Um dia seremos uma espécie de bichos a acordar na madrugada para que apenas o espanto do mundo sacie essa fome ou essa raiva que sempre vem do futuro desacatar todas as dores e seus insuportáveis silêncios.

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