Um Anjo chamado Elisa

Pintura de Chagall.
Muitas das coisas que nos acontecem aumentam o nosso sentido de religiosidade e de gratidão para com o destino.
Tenho a certeza de que, se a vida se me acabasse neste instante, teria de reconhecer que, mesmo com todos os normais pesares, o destino fez com que me rodeasse de alguns Anjos, pessoas que sempre significaram o devir do mundo, pela sua integridade, pela sua força, pela intensidade com que naturalmente se deram e se dão aos outros.
Ando a ler o novo livro de Maria Elisa Pinheiro e, mais uma vez, estamos perante uma obra de grande humanismo, de enormíssima entrega, de desmesurada generosidade, escrita numa forma muito sua, inimitável no estilo, no humor e na emoção.
Este texto estou a escrevê-lo sobre os céus de Nantes, a caminho de Bruxelas, enquanto descanso da sua avassaladora leitura e, ao mesmo tempo, agradeço ao Deus das crianças (que há-de ver-se daqui porque estou em pleno céu) o facto de, num belo dia, como nas histórias de encantar, me ter aparecido um livro e uma autora que foram uma espécie de interminável fantasia, de bênção, de prova que no olhar de Deus há uma grande força a povoar-nos o caminho, a povoar-nos a felicidade apesar de tudo e de todas as perdas.
Nos céus de Nantes consigo orar desta maneira, pela mão de uma amiga que é mais um desses Anjos em que acredito e que a sina do mundo depositou sobre um inesperado sorriso quando, há anos, disse que sim ao seu editor, que aceitaria apresentar o seu livro. E que Deus também deve ter dito que sim, que eu estava pronto para receber Dele mais essa dádiva, uma outra força que veio para sustentar o que, também por mais isso, terei para dar.


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