Saudade de José Gomes Ferreira

Esta noite estou cheio de saudades do José Gomes Ferreira, dos três volumes do seu «Poeta Militante», editado pela Moraes. Tenho saudades da sua lua e da balada para a heroína que ele mesmo inventou e que eu declamei em dezenas de programas de rádio.
Tenho saudades do José Gomes Ferreira a ecoar-me no coração mais puro e a apontar-me o caminho mais ilimitado e mais certo. Saudades de abrir o jornal e encontrar um poema novo, saudades de me indignar com coisas que já não existem ou que mudaram de nome e de combate.
Tenho saudades, qualquer coisa de animal a assaltar a alma.
Tenho esta noite no coração um poeta que escreve e se demora,
arpão de tormento e imaginação que à lua dos sem dia se ancora.
Só não choro, porque chorar não basta.
E é preciso trazer na voz
uma qualquer faca que a vida arrasta
e no peito um qualquer verso
que ao amor der jeito.


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