Os imigrantes.


foto de Gerald Bloncourt.

Os imigrantes. Trazem longas narrativas. Contam parte delas na forma como olham, como cumprimentam, como esperam, como temem ou como vencem. Vêm de lados distantes para a nossa proximidade e ficam rentes de repente. São também a forma como palpita o coração das nossas cidades e a sua mais íntima narrativa.
Quem já nasceu cá pode colocar-se em silêncio a fruir as suas vozes muito novas, as novas pronúncias, as novas faces e os novos gestos. E tudo vai mudando. Mudando os nossos sentidos, mudando a leitura que fazemos dos lugares, mudando a interpretação que vamos tendo até da saudade.
Os imigrantes como uma musicalidade nova do nosso tempo partilhado, com um certo espanto, a aguçar a nossa melhor noção da lonjura. Quando os vejo e quando lhes falo, há uma espécie de ave em mim que vai migrando e se vai demorando nas histórias e nas expressões. Quantas vezes foi aí o melhor abrigo que encontrei para a minha própria liberdade? Alguns dos meus melhores amigos não são de cá e, por isso, algum do meu coração também o não é, é do mundo.

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