Avistar a nascente a partir do fim.

Um corpo com a frescura das nascentes, das primeiras correntezas, dos primeiros encontros com a noção das margens. Já foi assim esse corpo, conhecido pela luz pujante da madrugada. Um corpo comprometido com a força do dia, a sorver para si o desconhecimento e o pacto iniciático com a resposta que a terra pode proporcionar quando sobre ela passam as torrentes.
Um dia encontrei assim o mundo. Era tarde, e no que restava das horas apenas um som longínquo testemunhava a passagem breve daquele corpo. Sentei-me sobre essa ideia como se me debruçasse sobre a mais alta varanda para avistar infantilmente o fim do mundo. Ali permaneci até hoje com a serena expressão de quem jamais perderá a esperança de avistar esse lugar onde devem ir ter todos os corpos que guardaram em si a frescura das nascentes.


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