Recordações do verão

Os cheiros a pinheiro e a terra vermelha devolvem-me um Algarve de há muitos anos. O mar e as suas falésias completam o retrato, provavelmente vulgar, mas a entrarem na absoluta raridade das emoções a que se não volta por força do tempo.
Esta tarde, a subir o caminho de acesso à praia, pai de filhos, a levá-los pelos mesmos caminhos, retomei uma série de gente que já só existe no lugar onde mais tempo se vive.
Atravessar o odor do pinho
e incendiar na idade
o oceano das coisas simples.
Atravessar o medo
e ficar à espera da morte
como de uma tarde com sol
onde fôramos felizes
e com frequência mergulhávamos
no que seria eterno e tinha então
a capa mais leve da luz do verão
ou das frases que nos faziam crescer
o corpo e a memória mais frágil.


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