O Minotauro
Foi hoje para a gráfica do Sr. Carneiro o primeiro número do «Minotauro», uma folha de intervenção artística que dirijo em nome da Labirinto.Mais uma pedrada na indiferença e na falta de ideias para o mundo. Tenho-me resguardado muito na capacidade que vejo em volta para que as coisas mudem e que, a pouco e pouco, tudo pareça melhor e mais à medida daquilo que deveriam ser os nossos compromissos civilizacionais.
-Estás acordado, com um sorriso muito adolescente, muito ingenuamente a admirar estes últimos gestos. Estás acordado e a acusar-me de ainda querer mudar o mundo. E consegues, consegues de forma imperativa e doce, simultaneamente. Estás em pé, desse lado do espelho de onde nunca saíste. Tenho-te aí plantado como os orientais plantam as suas miniaturas de árvore que são, acima de tudo, monumentos sobre o tempo, esse tempo que vai passando e sobre o qual não nos queremos despedir, nem sequer permitimos que passe sem que o moldemos. Hoje, acabei por fazer um jornal. Sempre quisemos que assim acontecesse um dia. Aconteceu, hoje. Espero ver-te sorrir amanhã, quando formos outros, quando estivermos mais perto do fim, mas também mais perto de acabarmos cada vez mais tarde, por tudo o que fizemos e que fomos dando.


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