Perda de memória.



Alguém terá que cuidar da memória. Preocupa-me a memória. Contudo, percepciono que são muito poucas as pessoas encarregadas disso. É verdade que as escolas têm essa missão, entre muitas outras. É verdade que às famílias caberia a parte principal, mas também aos governantes, sejam eles de bairro, freguesia, concelho ou nação.
Há, contudo, um silêncio ensurdecedor sobre esta matéria. Os cuidadores e os plantadores de memória rareiam.
A memória não é um exercício saudosista mas um pilar de futuro, uma esencialidade a que cada um tem direito. A memória ou se experimenta ou se ignora. É, por isso, urgente a sua estimulação, que é o mesmo que dizer que é urgente que se trabalhe sobre o tempo, sobre o seu uso, reflectindo sobre o seu saborear futuro.
O tempo, no seu passar e nos seus ritmos, está ignorado ao ponto de promover o desconhecimento sobre o próprio ser. E não há maior ignorância do que aquela que recai sobre a nossa própria passagem pela idade e pelo mundo. Daí a urgência, daí a inquietação.

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