Da vida e do tamanho do mundo.

Antoni Tapiés
Este dia de Carnaval, marcado pela descoberta e pelo enternecimento. Almoçávamos em Guimarães, quando ao final da refeição começámos a conversar com as pessoas da mesa ao lado, desconhecidas em absoluto.
Entre elas, uma senhora com 93 anos comentava connosco a beleza da neta do dono da casa e daí em diante se iniciou uma conversa sobre viagens, cruzeiros, resistências, surpresas felizes e crença na atitude de se estar vivo.
Passado algum tempo, os nossos vizinhos de mesa, a senhora, a filha e o genro, levantaram-se. Os mais novos despediram-se com um sorriso de paz, já de si invulgar neste tempo. A senhora agarrou-me as mãos, sorrindo, convidando-nos a visitá-la, dando-nos a morada, sempre a sorrir, demonstrando uma grandeza de vida muito rara.
É curioso estar em Guimarães e sentir que não é só o Centro Histórico que é património da Humanidade, é também o facto de ali viverem pessoas assim, pessoas que, se repetidas, fariam do mundo um lugar mais apetecível e mais crente nos dias próximos.
Para fechar em beleza o encontro, e dado o apelido, perguntei-lhe:
-Poças Falcão? É familiar do poeta Carlos Poças Falcão?
- Sou a sua mãe.
Carlos Poças Falcão, com quem nunca tive o prazer de privar, é um dos meus poetas. Isto bastará para que o caracterize. Não tenho muito mais de uma dezena.
Mundo pequeno, este. Mas tão grande.
Aproveitei o feriado e regressei ao livro «Nuvem», que por coincidência recomendei numa palestra que fiz sobre livros e autores há duas semanas, no clube de leitura do Instituto de Estudos Superiores de Fafe.
20 de Fevereiro de 2007


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