Fim de linha.

Chegámos ao fim da linha muitas vezes. Apetece-nos descer das viagens interiores e encontrar o sossêgo que vem da justiça e da alegria que a liberdade trás. Damos os primeiros passos na estação inventada e recorremos ao nosso olhar mais fundo para que abriguemos a rua e de seguida os momentos mais próximos. Tentamos ser felizes por curtos períodos de tempo. Ser feliz como quem é perfeito nesse sossêgo, ou como quem aí sabe viver a perfeição.
Chegámos muitas vezes ao fim da linha. Depois de termos visto muitas cidades de passagem, perguntamos regularmente pelo que faltou para que nessas cidades tão breves pudéssemos ter inscrito histórias das quais nunca nos esquecêssemos. E a resposta vem quase sempre daquela porção de desconhecimento que arrastamos vida adiante pela suposta falta de tempo ou de oportunidade.
Chegámos ao fim da linha. Perguntamos pelos que amamos e pelo sossêgo e quando a primeira voz que se escuta é a do medo também a paisagem é estranha e a ela não pertencemos. Aí nos chega a certeza de que não é esse, de que ainda não é esse o final da linha. Aí ressurge a vontade e a urgência de partir e deixar um sorriso muito ténue, uma espécie de gorjeta que se deixa ao destino sem qualquer compromisso em passar por ali, uma vez mais que seja.


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