Maria Lúcia Lepecki.
Morreu Maria Lúcia Lepecki. Abri a manhã de hoje ouvindo-a numa conversa na Antena 2. Só me ocorre a expressão africana, «quando morre um velho arde uma biblioteca». Está em cinzas mais uma. Arde este perder. É desgastante essa visão. Maria Lúcia que se ligou a Fafe pelo que descobriu na investigação de Miguel Monteiro sobre os Brasileiros de Torna-Viagem. Um novo adeus que nos empobrece muito, pela força e pela combatividade cultural que demonstrava. Ainda ontem de madrugada folheava um álbum de fotografias de Minas Gerais, sua terra natal, e sem saber da sua partida, pensava para comigo: se o Brasil não fosse tão longe, gostava de ir a este lugar. Gostava de não morrer sem ir a Minas. Mas o Brasil é longe. Também por isso é fascinante. Gosto de sentir essa lonjura. Gosto de o saber assim. De o conhecer por relatos de sonhos, por descrições de dor e de saudade, de amores e desamores. Gosto desse Brasil que conheço pela emoção dos outros. É bonito conhecer assim um país.
Na lista de favoritos de Maria Lúcia Lepecki encontrava-se a «Casta Diva», uma aria de Bellini, cantada por Montserrat Caballe. Retomo essa aria agora que escrevo e junto-me ao seu coração que não passou indiferente ao coração que não morre, que acrescentou ao coração que não morre, como se fosse uma flor.
Na lista de favoritos de Maria Lúcia Lepecki encontrava-se a «Casta Diva», uma aria de Bellini, cantada por Montserrat Caballe. Retomo essa aria agora que escrevo e junto-me ao seu coração que não passou indiferente ao coração que não morre, que acrescentou ao coração que não morre, como se fosse uma flor.



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