As guerras.
Por estes dias, paira sobre a consciência do mundo os atentados na Noruega. Há um ruído negro que parece levantar-se junto do solo e que drasticamente começa a mostrar-se como se fossem estranhas personagens vindas de um antigamente a que juramos não voltar.
Por estes dias, tem-me inquietado o esquecimento da guerra. Quando se esquecem as guerras, nem sempre é um sinal de evidência da paz. E por momentos, retomo os relatos de vítimas de guerra, de vários tempos, retomo a arte que veio dos horrores da guerra, retomo o olhar de sofrimento infinito dos homens e das mulheres a quem as guerras roubaram quase tudo que foram amando alguma vez.
Esquecer as guerras é também um atentado contra a Humanidade. Esquecer é deixar de aprender. E no amor e na guerra nunca podemos abdicar da aprendizagem. Por isso retomo a uma espécie de inverno nesta manhã de verão adiantado e ouço na minha memória o tema «Bella Ciao» da Resistência Italiana durante a II Guerra Mundial e o violino de Itzhak Perlman na composição de John Williams em Schindler’s List , e volto a prometer com o coração mais universal que me conheço: Nunca esqueceremos!



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