Dança
(Os bailarinos da minha terra homenagearam Pina Bausch e Merce Cunningham num espectáculo memorável no Teatro-Cinema. A Escola de Bailado de Fafe, dirigida por Alexandra Fonseca e Vera Santos, tem desenvolvido um trabalho notável em torno da cultura da dança. Este fim-de-semana, com Princesas Esquecidas “O Segredo Escondido”, podemos ver até onde o talento e a vontade podem levar os nossos gestos, as nossas impressões no mundo)
Sê uma ave de rapina sobre a intranquilidade da beleza. Um relógio de ponteiros que arranham ao passar. Sê uma cadeira e a sua irrequieta quietude sobre o palco. Uma memória adulta sobre a criança que tornas refém do teu silêncio. Um corpo atirado à ondulação das formas que ainda não existem ou que apenas existirão um dia, numa espécie de futuro que quiseste para o que ainda não sabes do mundo.
Conta. Conta matematicamente o que sucede ao coração depois da beleza. E tenta uma dança, gradualmente a crescer, como vertiginosamente cresce um coração em sobressalto. A vida é assim um registo de inesperados sobressaltos. Caso contrário, morreriam as artes. Caso contrário, acabaria o mundo. Estende um passo para o infinito que guardaste no palco, espreita para fora. Espreita para fora só para te certificares que é esse o mundo. E fica. Fica então, que esse é o mundo.
Sê uma ave de rapina sobre a intranquilidade da beleza. Um relógio de ponteiros que arranham ao passar. Sê uma cadeira e a sua irrequieta quietude sobre o palco. Uma memória adulta sobre a criança que tornas refém do teu silêncio. Um corpo atirado à ondulação das formas que ainda não existem ou que apenas existirão um dia, numa espécie de futuro que quiseste para o que ainda não sabes do mundo.
E dança. Dança com o corpo dessa ideia. Foge o que puderes com ela. Se preferires não voltes. Nem olhes para trás. Dança só com essa ideia que te preenche todo o espaço e ainda o vazio onde poderás questionar se a beleza é uma invenção reiterada de solidões partilhadas.
Soletra o ritmo das coisas concretas na imaterialidade com que os teus olhos dançam. Coloca em pontas o olhar e faz três piruetas com as histórias que querias contar e que foste deixando como uma ave de rapina nos espíritos adormecidos e quase mortos dos que te não viram. Depois senta-te naquilo que souberes da escuridão do palco. Fica aí a ver o que acontece aos espíritos estremunhados pela tua passagem. Conta. Conta matematicamente o que sucede ao coração depois da beleza. E tenta uma dança, gradualmente a crescer, como vertiginosamente cresce um coração em sobressalto. A vida é assim um registo de inesperados sobressaltos. Caso contrário, morreriam as artes. Caso contrário, acabaria o mundo. Estende um passo para o infinito que guardaste no palco, espreita para fora. Espreita para fora só para te certificares que é esse o mundo. E fica. Fica então, que esse é o mundo.



Comentários
Ao reconhecimento
Estas princesas reais
Esquecidas não serão
E a prova está nesta sublime dedicatória
Que evocou em seu coração.
Obrigado
Hugo Magalhães "Príncipe"