Orar na casa de João Paulo II

Este fim de dia, estive a orar na Basílica de S. Pedro, em Roma. Mas o mais íntimo da visita ao Vaticano foi a chegada. O olhar preso à janela onde João Paulo II apareceu a última vez, preso também à varanda onde o vimos no dia da sua nomeação.
Fui lá como se o fosse visitar, a ele, não a São Pedro, nem sequer a Deus. Fui lá com um sentido de reencontro. Um reencontro com uma grandeza intraduzível: estava no sítio onde aquele homem foi dia após dia mudando o mundo, à medida das suas forças.
Tenho por João Paulo II um respeito civilizacional e um carinho muito particular. O resistente que foi, o destemido que também foi, o homem que acrescentou aos dias e que ainda acrescenta com o seu exemplo. Não se trata de idolatria. Detesto idolatrias. Trata-se de respeito. E o respeito é dos sentimentos mais belos que nos pode tocar o peito. Aquela varanda foi uma varanda sobre a esperança e aquela janela foi uma janela aberta à não resignação. Duas orações muito belas sobre a História do mundo. Graças a Deus que vivi para o testemunhar. Saudades do Papa que veio do frio aquecer o coração das gentes. Saudades do tempo em que era tão fácil vê-lo pelo mundo, agora que apenas o sentimos pelo mundo.

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