Os sinais interiores de pobreza
Pintura de Fernando Botero
Em Bütgenbach, numa sessão de trabalho acerca do que deverá ser o novo quadro das políticas europeias direccionadas à Juventude. À mesa de jantar, a memória de duas vozes que trazem o inconformismo e a transformação do mundo de uma forma muito bela: Paco Ibañez e Leo Ferré. E daí a certeza, o exemplo que deles chega. Para mudar o mundo e dominar as sucessivas crises não bastam paleativos materiais. É necessário mudar as consciências.
Face aos evidentes sinais exteriores de pobreza de muitos e aos evidentes sinais exteriores de riqueza de poucos, a resposta para equilibrar o desenvolvimento social terá que passar por um sério ataque aos sinais interiores de pobreza. Só por essa via se poderá lançar uma clara transformação que tornará distante o próximo ciclo de crises que nunca são unicamente económicas.
Combater a pobreza humana no seu lado interior deverá ser tão, ou mais, mobilizadora do que contrariar somente a resposta às necessidades materiais do momento, que não deixando de ser importantes, vão tendo resposta por via Estatal. O que não custa dinheiro, mas militância, é a mudança das mentalidades. Um certo liberalismo amado por uns e um certo capitalismo selvagem que pulula estão sempre interessados na resolução misericordiosa das crises, mas não na mudança dos Homens. Se os mudarmos mudará muita coisa, mas também o status quo. E isso, é algo que incomoda muitos e confronta outros tantos.
Nas fileiras dessa revolução silenciosa, mas eficaz, vão estando os que têm boas histórias para contar, através de actos que efectivamente mudaram vidas e procedimentos que tornaram mais justas as nossas comunidades. O caminho, como a História o tem demonstrado, é por aí. Por isso, escolas, cultura, participação cívica são elementos fundamentais para seguir em frente. O capitalismo, que é o grande responsável pela actual crise, não gosta, mas já não tem condições para publicamente discordar desta solução, o que por si só já é uma vitória. Ua vitória de alguns para todos. Pois um mundo justo e de efctiva prioridade do interesse colectivo face ao individual é certamente um mundo onde as gerações vindouras serão e farão melhor.



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