As cidades dos outros.


Algumas vezes, são as cidades que acompanham o coração. Algumas vezes, é agradável o seu abandono por lugares onde desesperadamente precisamos de deixar uma história para ficarmos de bem com o facto de existirmos e por consequência usarmos um espaço e um tempo que, por definição, será irrepetível.
As casas das cidades dos outros são espaços de distância e de proximidade. De distância suficiente para que sejam perfeitas por via da imaginação e do desconhecimento. Próximas porque podemos nelas construir alguma da nossa própria intimidade e prosseguir como se estivéssemos a construir a mais bela despedida do mundo que, a pouco e pouco, foi levantando o corpo de vida que tentámos animar desde o primeiro ao último instante.

-Às vezes questiono se andarás pelo mundo como quem anda a despedir-se e, dessa forma, empresta ao olhar a comoção necessária para a celebração da beleza, que se espera eterna e transbordante, sem direcção, nem alvo, do mesmo jeito que o vento, com origem distante e a mesma proximidade.

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