Jörg Immendorff



Fim de manhã, num dos meus lugares de sempre, o Museu de Arte Contemporânea Rainha Sofia, em Madrid. Regressámos para rever Picasso e Miró e acabámos por ser surpreendidos com Jörg Immendorff um pintor alemão nascido em 1945 na cidade de  Bleckede, e que faleceu em Düsseldorf, vítima de ELA, em 2007. 
Immendorff foi um autor iminentemente político, que retratou em telas de grandes dimensões a sociedade do seu tempo, através de um olhar irónico e inquietante o pulsar dos dias. Em 1998, foi-lhe diagnosticada esclerose lateral amiotrófica o que, ao longo dos anos, o foi limitando na capacidade de pintar. Em 2006, já sem conseguir fisicamente mover-se, contratou alguns assistentes e foi dando indicações de como pretendia as suas obras. Manteve-se no ativo até 2007.
Na obra de Immendorff tenho particular fascínio pela série do Café de Flore, onde o autor retoma o universo de artistas e pensadores da década de 60 em Paris. Uma descoberta que me fez regressar aos dias em que, na década de 90 do século passado, trabalhei sobre o mesmo imaginário com o César Taíbo, autor de um conjunto belíssimo de desenhos «Oráculos de Paris» que abraçam o mesmo imaginário e que estão publicados no nosso primeiro livro «O lugar dos dias». A arte tem destas coisas, religa-nos e entrega-nos aquilo por que mais ambicionamos: viver com marca, marca no coração que nos há de sobreviver, o coração dos outros.

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