António de Almeida Mattos




Perdemos, no passado mês de janeiro, António de Almeida Mattos. Um poeta maior da nossa literatura e o mais divulgado dos poetas fafenses. Era seu amigo e tinha por ele grande admiração. A poesia que nos deixou tem uma limpidez e uma profundidade que só os grandes conseguem. Mas, tem também uma imagem, muito sua, do universo que, sendo seu, é o da terra que ambos partilhámos. Há uma imagem de Fafe que trago comigo que tem nas suas palavras a expressão certa. A terra que Almeida Mattos sentiu e descreveu é, em grande medida, aquela em que também me reconheço e onde me apetece parar para sempre. Não há Fafe mais bela do que a que ele contava.
O primeiro poema que lhe conheci foi este, publicado na antologia «Poetas de Fafe», uma iniciativa da então vereadora da Cultura Maria Isabel Pinto Bastos: «Na varanda de begónias e avencas/ no leve mofo e solidão do estio/ se desprende silêncio Ao largo a fonte o/ quebra Quantos anos eu botei menino //Rodou a bola Partira-se o pião/ E assustado no casarão enorme/ a ver-me fugir o jogo do botão/ tear infinito me fazia homem//Secaram os goivos no jardim em frente/ Cresce ainda murta aqui além informe /Os velhos passam A estrada negra parte/ para onde? E tão longe da memória/ da varanda de avencas e begónias»
Antes de o ler, ouvi-o. Almeida Mattos dizia poesia de um jeito tão seu que, aqueles que o escutavam, conseguiam saber em si a síntese perfeita que o poema é naquilo que somos.
Tive o gosto de estar ao seu lado na sessão de apresentação do  livro «A ilusão do breve», com Isabel Pires de Lima, Artur Coimbra e João Artur Pinto. Nessa noite, disse que ele era, de entre nós fafenses, o meu poeta de eleição. Nunca lho tinha dito. Mas é. Também por isso, muito gostaria de poder ver a sua obra completa reunida num só livro para entregar ao tempo que vier.

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