Professora Manuela Silva
foto: Manuel Meira
Faleceu no passado dia 8 de outubro a Professora Doutora Manuela Silva,
professora catedrática do Instituto Superior de Economia e Gestão. Conhecemo-nos
na edição de 2018 do Terra Justa - Encontro internacional de causas e valores
da humanidade - onde participou numa conversa em torno da temática «Mulheres no poder», ao lado de Catarina Marcelino e na homenagem nacional a
Maria de Lourdes Pintasilgo.
Andámos pela cidade a falar sobretudo de educação
e de políticas educativas. Quis saber das nossas escolhas em Fafe nesta matéria.
Perguntava tudo, da forma mais crua e mais interessada. Percebíamos
imediatamente a exigência do seu interesse. A Professora era uma cidadã inteira
e comprometida com o seu tempo.
Uns dias mais tarde, recebi no correio os dois
volumes da obra »Pensar a Educação». Só tinha dois exemplares de cada e quis
oferecer-me um deles. Não sei como se agradece um gesto destes. Ou talvez
saiba: fazer por merecê-lo, não desistindo nunca das causas onde somos
precisos.
Ficámos com uma conversa suspensa sobre muita
coisa, mas sobretudo sobre educação. Foi um gosto enorme tê-la na nossa praça,
nos nossos cafés, no nosso teatro. Vou sentir a sua ausência por aí, pelo
mundo. Mas, também só se sente a falta de quem nos fica.
NOTA
BIOGRÁFICA
Deve-se a esta
investigadora, nascida a 26 de Junho de 1932, em Cascais, o primeiro estudo da
pobreza e desigualdade em Portugal em parceria com o Professor Alfredo Bruto da
Costa na segunda metade da década de 80.
Manuela Silva foi agraciada com a
Grã-Cruz do Infante D. Henrique em 2000 pelo Presidente da República Jorge
Sampaio, tendo desempenhado vários cargos na Administração Pública, integrando
diferentes grupos de peritos no âmbito da União Europeia, Conselho da Europa e
OIT - Organização Internacional do Trabalho.
Em Julho de 2013, recebeu o doutoramento honoris causa pela
Universidade Técnica de Lisboa, tendo sido ainda investigadora honorária no
Instituto de Ciências Sociais.
A Professora Manuela Silva é recordada pelo mundo académico e político
pelo seu sentido crítico, sempre apurado, e pela sua persistência nas causas
por que lutou, sendo uma delas a luta incessante pela irradicação da pobreza.


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