O Eucalipto
Há vinte anos que não nos víamos. Talvez seja o único eucalipto do planeta que me deixa de olhar turvo. Há quarenta anos, brincava em seu torno. Íamos, sobretudo nos meses frios, tomar café à serra da Penha, longe que estavam os turistas. O café com lareira, que ficava em frente, fazia o meu pai exclamar:
- Gosto de vir aqui pelo sossêgo e por parecer que estamos numa pousada de montanha.
Eu, se não chovesse, vinha apanhar as sementes de eucalipto que pelo chão abundavam. O café da montanha cheirava a eucalipto, quando o eucalipto ainda não preocupava os ambientalistas, pelo menos que o soubéssemos.
Esta árvore foi vista pelo meu avô, pelo meu pai e por mim. Acompanhou-nos durante três gerações. Esta noite, depois de jantar, cruzei-me com ela e apeteceu-me muito abraçá-la, contar-lhe vagarosamente o que foi a vida, contar-lhe sobre os que partiram já, contar-lhe a perfeição do tempo a passar também por nós.
Esta noite, após o jantar, tive uma tão clara e pura visão do amor. Esta árvore é da minha família, do meu corpo, do meu coração. Espero morrer antes dela, depois de a mostrar aos meus filhos, para que a possam conhecer os meus netos. Um dia hão-de vir e dizer:
- O avô pensava que esta árvore era uma pessoa da nossa família.
- Nem mais! - diria eu se cá estivesse ainda.
- Gosto de vir aqui pelo sossêgo e por parecer que estamos numa pousada de montanha.
Eu, se não chovesse, vinha apanhar as sementes de eucalipto que pelo chão abundavam. O café da montanha cheirava a eucalipto, quando o eucalipto ainda não preocupava os ambientalistas, pelo menos que o soubéssemos.
Esta árvore foi vista pelo meu avô, pelo meu pai e por mim. Acompanhou-nos durante três gerações. Esta noite, depois de jantar, cruzei-me com ela e apeteceu-me muito abraçá-la, contar-lhe vagarosamente o que foi a vida, contar-lhe sobre os que partiram já, contar-lhe a perfeição do tempo a passar também por nós.
Esta noite, após o jantar, tive uma tão clara e pura visão do amor. Esta árvore é da minha família, do meu corpo, do meu coração. Espero morrer antes dela, depois de a mostrar aos meus filhos, para que a possam conhecer os meus netos. Um dia hão-de vir e dizer:
- O avô pensava que esta árvore era uma pessoa da nossa família.
- Nem mais! - diria eu se cá estivesse ainda.



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