Ter.



Tenho no coração um jacaré que conta histórias longínquas ao ouvido de distantes princesas que chegam e que partem porque todas as princesas são distantes e todos os jacarés contam histórias.
Tenho no coração um relógio que conta tempos e na palavra um sem tempo que guerreia esse coração atempado.
Tenho para entregar uma planície infinita e para guardar um vento antigo e sem direção para que nada seja senão no que será.
Tenho uma mão para segurar a carícia que inventaste e uma carícia desinventada que te fecharei nos braços para que nunca sejas o que o corpo não foi capaz de libertar.
Tenho no coração um frasco de formol para conservar na minha morte as mortes todas que fui esquecendo.

Tenho o que não existe e essa é toda a riqueza.

Comentários

Paulo Teixeira disse…
Gosto! Ter o que não existe é sempre alcançar o inalcançável,logo, o maior dos tesouros!
Abraço

Mensagens populares