Ter.
Tenho no coração um jacaré que conta histórias longínquas ao ouvido de distantes princesas que chegam e que partem porque todas as princesas são distantes e todos os jacarés contam histórias.
Tenho no coração um relógio que conta tempos e na palavra um sem tempo que guerreia esse coração atempado.
Tenho para entregar uma planície infinita e para guardar um vento antigo e sem direção para que nada seja senão no que será.
Tenho uma mão para segurar a carícia que inventaste e uma carícia desinventada que te fecharei nos braços para que nunca sejas o que o corpo não foi capaz de libertar.
Tenho no coração um frasco de formol para conservar na minha morte as mortes todas que fui esquecendo.
Tenho o que não existe e essa é toda a riqueza.



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Abraço