Dia do Corpo de Deus.
As linhas da vida atravessam a energia dos sonhos e transfiguram-se num desconhecimento que nos apaixona. Olhamos em frente, enchemos de perguntas o horizonte, somos o que não morre no corpo de uma pergunta. Se Deus falasse gastaria todo o seu tempo a responder-nos. Como não fala, somos nós que preenchemos a vida a perguntar e a responder, como se responder fosse um fim.
Na fronteira de uma resposta, descobre-se o apetecível território de um não saber e aí seguimos de novo como se ressuscitar das dúvidas fosse a única semelhança entre Deus e os Homens.
A tarde eleva-se. É dia de Corpo de Deus. É dia de um corpo para as perguntas e esse é o que nos garante a vida. O resto é passado, e também o passado só serve para perguntar daqui em diante como a mais bela, mais real e inquietante fortuna.



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