O universo de Telma Mota

Foto PMM - Fafe
Telma Mota realizou a sua primeira exposição individual na Galeria da Casa Municipal de Cultura depois de ter passado por várias mostras de criadores nacionais e ter já peças suas em vários países. Empreender pela arte tem sido o seu rumo e a sua luta nos últimos tempos. A Telma acredita e sabe que um artista antes de depender dos outros depende de si e das suas decisões, no que faz, por que faz e como o faz. Um artista tem que criar um universo e ela começou a criar o seu. A seguir esse universo é um monstro e uma criança ao mesmo tempo. É um incêndio e um manhã clara. Uma canção e um silêncio. E é preciso saber lidar com ele. Tão belo e tão de dentro. E,por assim ser, tão inquietante. Às vezes, tantas vezes, um abismo, um quase fim. Outras, tantas outras, a única eternidade a que nos dispomos.
Quando a fui ver, fiquei com uma peça sua no coração: chama-se fado. Uns brincos que simbolizam a forma como ela sente o fado. Também senti o fado naquela peça. A profundeza do fado, a intimidade do fado, o luto e a paixão do fado.
É sempre tão bom quando nos mostram noutra língua, noutra forma, o que vamos sentindo pela vida. E o que a Telma fez com esta peça foi traduzir na sua língua e na sua forma o fado que tem língua e forma em cada um de nós.
Junto-me a ela. Sobre a sua peça escrevi este poema onde coloquei a voz da Carminho em cada palavra.




Fado
Para a Telma, pelo seu fado.
Para a Carminho, pela certeza de que o fado está maior com ela.

Tenho um sorriso guardado na boca do meu amor.
Tenho uma flor que nasce nas ruas da minha dor.
Tenho um navio que espera as ondas que ainda virão
E a tempestade que vi quando me vi no teu coração.

Tenho um silêncio que mora em meu peito infinito
E uma tristeza que veio do ardor de mo teres dito.
Oh! quantas vezes me dizes que ter um peito assim
só de fado, só de sina, só de amor pode ter fim?

Oh! quantas vezes disseste adeus sem saber por que partir?
É um porto este meu peito que teu mar veio vestir.
E, sendo ultimo e só de adeus, esse mar, esse porvir,
pode doer, meu amor, mas mesmo assim eu quero ir.

Fafe, 10 de Dezembro de 2011.
+ informação sobre Telma Mota aqui: http://telma-mota.blogspot.com/



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