As nossas árvores
(em memória do meu pai e do seu amado jardim e do Dr Rui Adérito que nos ensinou como amar uma árvore, para sempre)
Quantas árvores contámos ao longo da vida?
Quantas plantadas por nós ou plantadas em nós?Desalojado estaria o canto dos pássaros
e a imagem da sombra,
como se expulssássemos do coração as estações.
Quantas árvores nos nascem devagar
para que a geografia do olhar nunca perca
a funda raiz de um primiero passo,
o rumo sempre incerto de tonalidades
das estações futuras, das suas cores,
do seu canto, da sua sombra longínqua?
que serão um dia, na despedida, a rente voz,
a sombra desse amor
que deixará à folhagem o nobre gesto
de sermos nós e de, sem estarmos mais,
ser o nosso último fulgor.



Comentários
PS: terceira estrofe, terceiro verso: dislexia...
Um abraço!
O homem antigo se não amava as árvores, respeitava-as por instinto. Foi a maneira de nos de deixar algumas. O homem actual deixará à posteridade em vez de árvores muros de cimento.