Senta-te na minha manhã.


As visões matinais do mundo, da nossa varanda, ou do que imaginamos ser a nossa rua ou nossa mais perfeita terra. As visões a irromperem pelo território de impossíveis desejos, de utopias desmazeladas, de nunca mais consentidos.

- Senta-te na minha manhã e demora-te. Fica como se fosse possível e verdadeira a eternidade. Lê-me lentamente o olhar e descansa-me no fluir do mundo. Arranca flores das minhas palavras e colhe todas as chuvas quando me emocionar, por ser emocionante saber que andas a povoar-me as manhãs e que apenas o fazes porque tens uma forma muito própria e muito tua de seres o que nunca consegui que fosse a natureza dos meus dias.
Sê uma história. Apenas isso, para sempre isso. Uma história que não consiga erguer no dia a sua noção tardia, a noção de que tudo tem uma fímbria, uma linha de final de percurso, uma ameaça de final de vida, uma insuportável despedida e um desesperado adeus, sobretudo ao que se não foi.
Senta-te na minha manhã e planta na minha pele uma árvore do tempo e a sua sombra e o seu canto. Senta-te e sê um pássaro. E traz nesse pássaro as terras por onde passou antes de aqui chegar. Sê os ventos que conheceu e as tardes onde poisou os mais belos cansaços.
Senta-te na minha manhã porque precisamos de morrer alguma vez.

Comentários

Caro amigo: apaixonei-me. O título do teu post era uma frase que há muito precisava para ilustrar umas coisas minhas. Quanto queres por ela? :)

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