A VITÓRIA
Até 1981, vivi na Praça 25 de Abril numa casa mesmo de frente para a então sede do Partido Socialista. Uma das melhores memórias que dali guardo prende-se com a sonoridade que ao longo de anos se ouvia na praça por volta das 9h, no dia da revolução.
Dos altifalantes vinha o hino do MFA e soltava-se na janela da sede uma bandeira do PS com mais de 3 metros de largura e outro tanto de comprimento. À mesma hora juntava-se o som dos morteiros. O sentimento de celebração era pleno.
Aquela imagem e aquela sonoridade marcaram-me tanto, ao ponto de nelas criar o poema que entreguei para a antologia comemorativa dos 50 anos da nossa Revolução,editada pela Labirinto, sob a designação “São Cravos”.
Aquele cenário evocativo era muito mais do que publicidade partidária, embora também o fosse, era sobretudo o sublinhar de uma vitória onde a Liberdade venceu a ditadura e o seu obscurantismo, onde a alegria venceu o medo, onde a igualdade venceu a submissão. E isso é de uma beleza extrema. E isso é o que continua a importar e que urge não esquecer. Nunca esquecer. O futuro continua todo nessa vitória.



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