A MINHA BICICLETA
No final da década de 70, a minha bicicleta era uma companhia como poucos objetos conseguem ser ao longo de uma vida. Era um meio de liberdade, de distância, de não estar, de ser breve.
Com ela, deslimitei-me em secretos passeios por lugares que, pelo perigo e pelo longe, me estariam vedados. Na verdade, muito do que sei sobre literatura aprendi com ela.
A minha bicicleta acidentou-me e, logo após, ensinou-me a privação quando o meu pai me proibiu de com ela sair por uma temporada.
Com ela, fiz o caminho dos amigos, o chão dos amigos, os passos dos amigos e ainda me explica muito sobre como se faz caminho.
A minha bicicleta levou-me sempre onde queria muito ir. Haverá melhor nome ou melhor destino para dizer o amor ou a liberdade?



Comentários